Por que empreender em Portugal?

Postado em 6 de dezembro de 2019 / , ,

Portugal apresenta diversos fatores favoráveis à atividade empreendedora. O Global Entrepreneurship Monitor (GEM), um estudo que pretende avaliar a atividade empreendedora de diversos países, considerou Portugal um país impulsionado pela inovação. 

Um indicador importante é a taxa de atividade empreendedora early-stage total (TEA), que indica a proporção de indivíduos, com idades entre os 18 e os 64 anos, que estão diretamente envolvidos em atividades de gestão e criação de novos negócios. Portugal apresentou uma taxa de TEA de 8,2% no último ano com dados disponíveis (2016), que significa que aproximadamente 8 em cada 100 indivíduos adultos são empreendedores. Este valor é considerado elevado, e é bastante similar aos valores obtidos para outras economias orientadas para a inovação.

 

Nas economias orientadas para a inovação, tem-se verificado uma mudança de paradigma: a importância anteriormente atribuída ao setor industrial, no âmbito do empreendedorismo, está hoje muito direcionada para o setor dos serviços, sendo este o setor onde a inovação e o empreendedorismo estão mais presentes. No setor industrial prevêem-se alterações que conduzam, a médio prazo, a uma maior sofisticação de processos, com especial destaque para processos de I&D.

O setor que engloba serviços orientados para o consumidor (como retalho, bares, restauração, alojamento, saúde, educação e lazer) é o setor com maiores percentagens de atividade empreendedora. De seguida, surge o setor da transformação (construção, manufatura, transporte, comunicações, utilidades, distribuição e grossistas) e, por fim, o setor extrativo (agricultura, silvicultura, pescas e extração de matérias brutas).

 

Portugal é o segundo país da União Europeia com a taxa de nascimento de novas empresas mais elevada (15.75%), sendo superado apenas pela Lituânia (19.72%). No global, esta percentagem aumentou cerca de 3.63% de 2009 a 2017, sendo que 2016 a 2017 se verificou uma subida de 4º para o 2º país com maior número de nascimentos de empresas dentro da União Europeia. Este indicador mostra que Portugal é um país com uma boa abertura para novas empresas, e com um elevado espírito empreendedor.

Figura 1 – Taxa de nascimento de empresas – Número de nascimentos de empresas no período de referência (2017). Fonte – Eurostat (https://ec.europa.eu/eurostat/databrowser/view/tin00142/default/bar?lang=en)

Dentro do espaço europeu, Lisboa destaca-se como sendo a quinta capital europeia com o maior hub de startups, ficando apenas atrás de Londres, Berlin, Paris e Copenhaga. Portugal destaca-se devido à localização geográfica privilegiada, o que torna o país ainda mais apelativo ao empreendedorismo e ao comércio internacional, estando inserido em diversas rotas comerciais estrategicamente muito relevantes. A crise económica sentida no passado fomentou um espírito empreendedor e de inovação que se verifica até hoje. Verifica-se também um aumento significativo da qualidade de ensino em todas as áreas, nomeadamente nas tecnologias de informação, comunicação e eletrónica, existindo infraestruturas tecnológicas nacionais muito evoluídas a nível global, nomeadamente no que diz respeito à internet de banda larga, às redes inteligentes e à sustentabilidade energética. Estes aspectos, conjugados com preços acessíveis, tornam Portugal num país atrativo ao estabelecimento de empresas. É de salientar que Lisboa é considerada a capital tecnológica europeia, com cada vez mais gigantes mundiais do setor a estabelecerem-se na região, nomeadamente a Google, Uber, Mercedes-Benz e a Volkswagen.

 

Para além dos aspetos referidos, outros fatores considerados como sendo favoráveis ao empreendedorismo em Portugal são o acesso a infraestruturas, sendo que Portugal se encontra acima da média das outras economias orientadas para a inovação neste aspecto. Também o apoio financeiro foi considerado um fator positivo para o empreendedorismo, e dentro deste os aspetos identificados como mais relevantes são a existência de subsídios e de capitais de risco. Existem também diversas estruturas para o financiamento do ecossistema empresarial, como a Portugal Ventures, o financiamento abrangente de Business Angels e a crescente abertura à procura de financiamento internacional.

De acordo com Associação Nacional de Jovens Empresários em Portugal, 80,43% das startups sobrevivem após os primeiros anos de atividade e 67,76% mantém atividade após dois anos. Em Portugal, no ano de 2017, empresas com até 5 anos obtiveram um volume de negócios 34 441 milhões de euros. Segundo a StartUp Hub, um agregador de dados relacionados com o empreendedorismo, a zona norte do país é a zona que concentra um maior número de startups e incubadoras de empresas, com cerca de 519 organizações.

Em Portugal, a criação de novas empresas é relativamente simples, existindo programas e apoios que tem por base facilitar a sua instalação e abertura. Para além deste aspeto, não existem entraves à criação de empresas por cidadãos estrangeiros, existindo até alguns incentivos ao estabelecimento destes cidadãos, através de vistos que beneficiam o investimento estrangeiro. Também o estado apoia o empreendedorismo, através de diversas iniciativas, existindo programas de incentivo ao investimento, tais como a linha do Portugal 2020, que atua em conjunto com os fundos comunitários europeus. Destaca-se também o StartUp Portugal – Estratégia Nacional para o Empreendedorismo, uma iniciativa criada pelo Ministério da Economia português, que tem por objetivo apoiar todos os setores de atividade económica e de fomentar o crescimento do ecossistema empreendedor português. Este programa tem três alicerces fundamentais: criação e apoio do ecossistema empreendedor português, atração de investidores nacionais e estrangeiros e promoção e aceleração de startups portuguesas em mercados externos.

Para além de um ecossistema empresarial muito favorável à inovação e ao empreendedorismo, a segurança é, também, um atrativo à fixação de empresários no país. A taxa de criminalidade em Portugal diminuiu entre 2018 e 2017, passando de 33,2% para 32,4%, e Portugal tornou-se, em 2019, o quarto país mais seguro do mundo, precedido pela Áustria, Nova Zelândia e Islândia.

O crescimento econômico favorável da economia portuguesa, aliado aos aspetos anteriormente referidos tornam Portugal um hub de excelência para o empreendedorismo. 

Fontes: