O jeito português de trabalhar e fechar negócio

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Postado em 23 de novembro de 2021 /
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Quando pensamos em empreender em Portugal, muitos empresários brasileiros subestimam as dificuldades existentes neste processo. 

Uma das primeiras perguntas que fazemos quando estamos à frente das primeiras análises de mercado é justamente entender quem será o cliente deste empreendimento pretendido em Portugal.

Seu cliente será o português e assim validar seu modelo de negócio para que ele possa ser ampliado para os demais países da Europa ou você pretende vender seu produto ou serviço a estrangeiros em Portugal.

Esse não é um ponto básico, mas sim essencial, que é entender o que o empresário pretende. Percebemos hoje um grande número de brasileiros querendo empreender em Portugal para oferecer seus produtos para os brasileiros já residentes por aqui.

Somos mais de 180 mil em números oficiais, mas estimados mais de 400 mil em números não oficiais. 

Sim, é um número expressivo, mas longe de garantir a existência da maioria dos negócios pretendidos por brasileiros.

 

 

HÁ PRODUTOS BRASILEIROS POR TODO LUGAR

Andando por Lisboa, Porto ou mesmo Coimbra apenas para dar exemplos, você pode facilmente encontrar uma cafeteria com o  nome Brasil ou uma outra loja com produtos típicos do nosso país.

Da música onipresente à feijoada antes rara e agora muito constante, podemos encontrar de tudo. Açaí é mais popular que sorvete e o pão de queijo está mais disponível do que pessoas para consumi-los. 

Não se pode negar que nossa cultura é forte. Mas imaginar que iremos ter mercado e consumidor para tantos produtos brasileiros em Portugal começa a ser algo bem distante da realidade. 

Sempre fazemos uma grande reflexão quando estamos com os empresários nos estágios iniciais sobre a aderência do seu negócio ou não em terras portuguesas. 

Um processo de internacionalização é algo muito sério e não podemos subestimar as complexidades e desafios inerentes ao tema. 

Sendo assim uma jornada bem intensa, por que ainda muitos brasileiros se aventuram sem ter consciência plena da oportunidade?

Essa é uma resposta pouco fácil de responder. Mas o que tenho percebido é que em muitos casos nos privamos da racionalidade necessária apenas pela similaridade da linha, acreditamos que os demais desafios serão facilmente superados. 

Acreditamos mesmo é que tendo aparência do seu negócio em Portugal, um bom processo de internacionalização pode ser a diferença entre o fracasso e o sucesso. 

Mesmo assim, o jeito português de fazer negócio não pode ser deixado de lado e é sobre ele que quero levar a você. 

ENTENDA NOSSAS DIFERENÇAS CULTURAIS 

Diferenças culturais  não é o que aprendemos na escola. Não se percebe enquanto cultura que somos diferentes não por palavras, mas sim por vivência. 

A literalidade dos portugueses pode, em um primeiro momento, causar situações engraçadas, mas no cotidiano minar sua negociação comercial por você justamente não entender a resposta dada.

Claro que nosso jeito mais afetuoso e acolhedor pode se tornar um grande diferencial quando a escolha do seu empreendimento é o varejo ou a área de alimentação. 

Ouço frequentemente elogios ao atendimento brasileiro muito presente nestes setores. Realmente é possível criar um bom negócio tendo como grande diferencial o atendimento. 

Quando estamos falando de empresas ligadas à indústria, tecnologia ou serviços, a necessidade diária de estar em negociação exige uma melhor atenção do modus operandi por aqui. 

Jeitinho não existe e questões subliminares como já dito, podem minar suas negociações. Ser claro, objetivo e direto é essencial. 

JAMAIS ALTERE O QUE FOI DEFINIDO 

Gosto de comparar a maneira que os portugueses fazem negócios aos menus dos restaurantes. Tente mudar algo no cardápio que não seja a batata frita por legumes que você entenderá que não vão aceitar essa mudança.

No Brasil, mudamos tudo quando vamos a um restaurante sem que na maioria das vezes alguém reclame. 

Em Portugal, o definido está definido. Mudanças não são bem-vistas e você deve se acostumar, por exemplo, a não mais encontrar protetor solar quando o verão acabar.

Se o verão acabou, por que você quer comprar protetor solar? Assim é a vida por aqui. 

Tal maneira de ver a vida também representa uma oportunidade. Assim como eu tentei comprar protetor solar no outono sob um sol de trinta graus, quantos tantos tentaram?

 

 

DEIXE CLARO O QUE VOCÊ ESPERA DO SEU COLABORADOR 

Tudo que você acredita ser atribuição que seu colaborador irá desempenhar precisa estar descrito no seu contrato de trabalho.

Querer exigir carga de trabalho superior ao que foi combinado ou ainda novas atribuições não será bem visto. Você deve estar atendo a não pedir o que não combinou. 

Processos trabalhistas apenas acontecem quando estas regras são rompidas. O que está escrito pode ser cobrado. 

Muito diferente do Brasil, o Europeu com trabalho formal, trabalha muito menos em horas. Dias atrás nas últimas eleições nos distritos de Portugal, uma das placas de políticos que eu encontrava pela rua tinha como reivindicação de um partido trabalhista mudanças para trinta e cinco horas semanais de trabalho.

Imaginar uma carga de trabalho de trinta e cinco horas semanais, é algo bem distante da nossa realidade. 

Não se pode dizer que os portugueses são os mais produtivos do mundo. Na Europa mesmo estão na sétima posição no ranking de produtividade. 

O ponto mais importante aqui é estar atento ao que esperar do seu colaborador. Não crie expectativas que ele ficará ou entregará mais do que você quer. 

 

 

AS FINANÇAS SEMPRE DEVEM ESTAR EM ORDEM

Este também é um ponto relevante. Muito comum no Brasil as empresas não manterem suas obrigações fiscais ou contábeis em dia em Portugal, então você deve reconsiderar isso.

Como a cobrança de impostos é bem simples e temos tudo interligado, um descompasso de tributos ou fiscais rapidamente respinga em sua operação.

Problemas bancários ou na regularidade fiscal podem ter consequências negativas para seu negócio. 

Sim, a carga tributária é alta, mas você deve priorizar manter em ordem tais obrigações. Lembre-se que o regime tributário mais parecido em Portugal ao nosso é o Lucro Real. 

Um bom advogado será seu parceiro de negócio por aqui.

Acredito que com um bom planejamento e fazendo a lição de casa quanto a análise de aderência do seu negócio, boas oportunidades existem em Portugal. 

Vamos marcar um momento para falarmos mais sobre este tema.  Agende um horário para conversarmos e juntos discutiremos seu futuro em Portugal.

Forte abraço! 

 

Quer levar sua empresa para Portugal

 

Sobre o autor,

Benício Filho – Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente também está concluindo o curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco. Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio fundador da Agência Incandescente, sócio fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal), atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros. Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

 

 

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