O Universo das Cervejas em Portugal

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Postado em 4 de janeiro de 2022 /
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O UNIVERSO DAS CERVEJAS EM PORTUGAL

O mercado de cervejas em Portugal é bastante interessante. À primeira vista, temos a impressão que se consome mais vinhos do que cerveja. 

Em 2019, Portugal produziu 739 milhões de litros de cerveja, mais 15 milhões de litros que em 2018, de acordo com os dados do Eurostat, publicados no final de 2020.

Para além disto, segundo a Associação Portuguesa de Produtores de Cerveja, em 2019, o consumo per capita de cerveja em Portugal foi de 53 litros. Em 2020, cada português consumiu menos sete litros de cerveja, em média, em comparação com 2019, consequência das restrições impostas pela pandemia. 

Este consumo per capita tem vindo a manter-se razoavelmente estável em Portugal, ainda aquém dos 61 litros atingidos em 2009, antes do início da crise. Um marco que é potencial e alcançável para o setor.

Também devemos notar que a cerveja chega a mais de 77% do total de lares, tendo a categoria sido adquirida 9,5 vezes no último ano (uma vez a cada 38 dias) e os consumidores, comprado em média 3 litros e gastado 5,2€ por visita.

O CONSUMO MOSTRA SINAIS DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

O consumo da cerveja é especialmente segmentado por sexo, com os homens a constituir 61% do total de consumidores de cerveja.

Entre a população masculina, a penetração deste produto está 75% acima do registado junto da população feminina: 75.4% dos homens consomem cerveja, face a 43.1% das mulheres.

Em termos de idade, os maiores valores em penetração registam-se entre os 45 e os 54 anos.

Os residentes na área metropolitana do Porto são os que registam a maior taxa de penetração, com 67% de consumidores de cerveja, assim como os indivíduos das classes mais altas, com 64.8%.

Os dados do TGI mostram ainda que, entre os consumidores de cerveja, 45.3% dizem consumir pelo menos uma vez por semana.

Em termos comparativos, Portugal é o 21º consumidor e o 13.º produtor europeu, mas ocupa o primeiro lugar no consumo de cerveja fora de casa,  ou seja, em bares, cervejarias, restaurantes e outros estabelecimentos.

O consumo português de cerveja é feito 69% das vezes em locais comerciais, e apenas 31% das vezes no conforto do lar, um hábito totalmente contrário à norma europeia (34% em público, e 66% em privado).

Atrás dos portugueses, os irlandeses; em 65% das ocasiões bebem cerveja fora de casa. Malta, Espanha, Grécia e Chipre são os países seguintes, os únicos com percentagens “caseiras” inferiores a 50%. No mercado nacional, as vendas totais cresceram, em 2020,

SEIS TENDÊNCIAS QUE AJUDAM A ENTENDER O CONSUMO DE CERVEJA EM PORTUGAL

TENDÊNCIA À SUSTENTABILIDADE (1)

As expectativas dos consumidores por sustentabilidade, ética, meio ambiente e responsabilidade social corporativa são crescentes.
São reflexos da conexão cada vez mais íntima da preocupação das pessoas com sua própria saúde e a saúde do planeta, intensificando o consumo sustentável.
Um movimento que vem pressionando empresas a priorizar a eco-eficiência, investindo em alternativas sustentáveis, com foco contra desperdício de ingredientes, produtos e embalagens, reciclagem e inclusive reaproveitamento de materiais e produtos.

TENDÊNCIA, BEBIDAS PREMIUM (2)

Nas últimas duas décadas, os consumidores gravitam em direção a bebidas alcoólicas premium.
Embora o COVID-19 tenha impactado a indústria do álcool em 2020, os níveis premium e super premium mostraram uma maior taxa de crescimento de vendas.
Os consumidores tornaram-se bebedores mais sofisticados, procurando autenticidade e querendo mais retorno no seu investimento. Os valores do consumidor estão sendo redefinidos com foco na qualidade e na exclusividade.

TENDÊNCIA, EMBALAGENS BIODEGRADÁVEIS (3)

Um dos exemplos da transformação ecológica que o setor das bebidas alcoólicas está a sofrer, é o exemplo da Bacardi, demonstrando que nenhum consumidor, independentemente do seu mercado, é indiferente à consciencialização ambiental.
Assim sendo, a Bacardi deu mais um passo na luta contra as alterações climáticas e a poluição causada pelo plástico ao revelar os planos para introduzir no mercado, em 2023, aquela que considera ser a garrafa de bebidas alcoólicas mais sustentável do mundo.
A nova embalagem, 100% biodegradável, irá substituir 80 milhões de garrafas de plástico (três mil toneladas deste material) que atualmente a Bacardi produz a cada ano, como complemento às suas garrafas de vidro, para satisfazer o seu amplo portfólio de marcas.
Este avanço é possível graças à colaboração com a Danimer Scientific. Os plásticos à base de petróleo utilizados, hoje em dia, pela Bacardi serão substituídos pelos Nodax PHA da Danimer Scientific, um biopolímero proveniente dos óleos naturais de sementes como a palma, a canola e a soja.

TENDÊNCIA, REDES SOCIAIS (4)

A compra de produtos através das redes sociais /aplicações /fóruns já é uma realidade em Portugal, porém o foco destas plataformas de social media nunca foi o e-commerce, mas sim criar uma comunidade e ligar as pessoas entre si.
No entanto, com a alteração dos padrões de consumo em todo o mundo, este paradigma mudou, sendo que o foco das redes sociais se está a alterar, também, para potenciar o ecommerce.
Uma das maiores provas deste aspeto é a nova funcionalidade do Instagram Shopping.

TENDÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO CIENTÍFICA (5)

A tecnologia e inovações científicas estão conectadas a diferentes tendências desta virada de década. As pessoas estão começando a aceitar que certas tarefas podem ser executadas digitalmente ou através de inteligências artificiais (IAs). A automatização da fabricação e a logística, para entender as procuras diferenciadas dos consumidores e fornecer soluções personalizadas com precisão estará cada vez mais presente em todos os setores.

TENDÊNCIA, PROPÓSITO E VALORES ALINHADOS (6)

Os consumidores de todas as idades e rendimentos estão dispostos a pagar preços mais altos por produtos alinhados com seus valores pessoais, segundo o estudo “Tendências Globais para o Consumo”; e 70% desses compradores que valorizam o propósito estão dispostos a pagar um valor adicional de 35% do custo inicial para compras sustentáveis, como produtos reciclados ou ecológicos.

PRODUTOS COM DIFERENCIAIS TEM BOA POSSIBILIDADE DE MERCADO EM PORTUGAL

Existe espaço para novos produtos em Portugal. Cervejas artesanais, por exemplo, são um dos mercados a serem explorados.

O ponto central de um processo de entrada em Portugal é ter diferenciais. Claro que isso parece óbvio, mas não é.

Um produto precisa ter valores relevantes em sua proposta de valor. Uma marca com história como externada nas tendências tem boa perspectiva de sucesso, mas esse ponto isolado não é a fórmula do sucesso.

Construir uma jornada de internacionalização, pressupõe seguir a um rito. Internacionalizar é gerar valor em outra cultura.

Nosso DNA enquanto empresas brasileiras tem, sim, seu valor, mas também não podem carregar por si só apenas a responsabilidade pelo acesso ao mercado.

Compreender o que faz sentido neste processo é nosso trabalho. Digo em um artigo recente que precisamos abrir os olhos para o que podemos gerar de valor. Compartilho ele com você aqui.

Venha bater um papo comigo e terei o maior prazer em ajudá-lo em sua jornada para as terras portuguesas. Agende um momento para conversarmos e juntos discutiremos seu futuro em Portugal.

Forte abraço!

Sobre o autor:

Benício Filho – Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente também está concluindo o curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco. Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio fundador da Agência Incandescente, sócio fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal), atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros. Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

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