O Agro é um bom Negócio em Portugal?

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Postado em 16 de fevereiro de 2022 / ,
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O segmento do agronegócio em Portugal representa uma boa oportunidade de negócio para empresários brasileiros? Neste artigo, discutimos este segmento muito importante para a economia brasileira tendo como ponto de partida Portugal.

O Agro é um bom Negócio em Portugal?

Neste artigo, aprofundo com você o segmento do agronegócio. Em nosso blog, você tem bons materiais sobre este segmento que poderão ajudá-lo através de outras visões e aspectos.

O segmento do agronegócio é bastante abrangente e diversificado. Neste sentido, temos produzido em alguns momentos estudos específicos sobre produtos, cadeias de valor e serviços.

Portugal é um país em crescimento no setor da agricultura e está a apostar no setor biológico, sendo que em 2018 o Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas afirmou que “neste momento 270 mil hectares de agricultura biológica estão a ser cultivados”

Desta maneira, quero apresentar a você dentro do agronegócio o segmento dos biológicos. 

Após uma breve análise ao setor de mercado, identificamos que o mesmo está em crescimento absoluto. 

Neste momento Portugal está a importar cerca de 50% de tudo aquilo que é consumido em matéria de agricultura biológica. Este dado mostra que há procura para este tipo de mercado, que tem recebido cada vez mais espaço nos hipermercados portugueses.

Uma boa oportunidade de negócio fica evidente para os olhos de um empreendedor nesse segmento. Vamos entender ele e suas tendências de consumo. 

Dimensão do Mercado dos Produtos Biológicos em Portugal 

Em outubro de 2017 foi publicado no Diário da República o Despacho n.º 9093/2017 no âmbito da Estratégia Nacional para Agricultura Biológica (ENAB) o Plano de Ação para a Produção e Promoção de Produtos Agrícolas e Géneros Alimentícios Biológicos (Plano de Ação).

Foi também criado o Observatório Nacional da Produção Biológica que tem como objetivo recolher, tratar e divulgar os dados, online através de um portal, sobre a produção, transformação, comercialização e consumo de alimentos biológicos.

Os dados ainda não estão disponíveis, e não existem muitos estudos referentes ao consumo de alimentos biológicos em Portugal. 

Por isso mesmo não é possível quantificar os consumidores biológicos e caracterizar os seus hábitos de compra e de consumo. Porém, foram feitos alguns estudos de mercado por empresas especializadas no setor.

Esta vaga falta de informação é um fator de grande relevância para o estudo em causa, mostra o crescimento exponencial que o setor teve nos últimos anos, estando agora a ser feitos esforços para perceber a dimensão e o potencial do mesmo. 

Não é conhecido o valor do mercado da alimentação biológica, nem a parte da produção nacional destinada ao mercado interno ou à exportação, porém sabemos através do secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural que Portugal importa 50% do que se consome em matéria de agricultura biológica.

Segundo o estudo realizado pelo Target Group Index da Market em 2016, no qual foram inquiridos 8.564 indivíduos com mais de 15 anos residentes em Portugal Continental, existem mais de 4 milhões de consumidores de produtos biológicos, representando 47,7% do total do universo em estudo. 

As mulheres com mais de 45 anos, pertencentes à classe social média e média alta e que residem na região Sul, são as principais consumidoras de produtos biológicos.

Os produtos mais procurados são: animais criados ao ar livre (50,5%), produtos de agricultores/produtores (47,8%), frutas e legumes (47,2%), produtos à venda em pequenos mercados (35,8%) e produtos com benefícios para a saúde (35,6%). 

Em relação ao consumo de alimentos biológicos no mundo verifica-se que está concentrado em duas regiões, Estados Unidos da América e Europa, uma vez que em 2016 representam 90% das vendas de produtos biológicos no mercado global.

Na Europa em 2016 o consumo médio per capita de produtos biológicos era de 36,4 euros e 53,7 euros nos Estados Membros, sendo que Portugal era um dos países que menos consumia por pessoa alimentos biológicos, dado que o consumo per capita era de 2 euros. 

Os países europeus que mais consomem per capita são a Suíça, Suécia, Luxemburgo e Áustria. Os dados divulgados e apurados até ao momento pela Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural relativos ao Modo de Produção Biológico (MPB) em Portugal, incluem dados sobre o número de operadores do MPB, a área de cultivo por tipo de cultura e por região e as espécies animais produzidas segundo o MPB. 

No final de 2017 a superfície agrícola utilizada correspondia no total a uma área de 252.812 hectares (sendo que em 2018 já são 270 mil hectares – dados revelados pelo Secretário de Estado das Florestas e Ambiente), dos quais 191.743 eram de agricultura biológica e 61.069 estavam em conversão.

Tendências do Segmento (1) – Saúde e Bem-Estar 

Os consumidores têm consciência da importância da alimentação saudável, por isso, tentam incluir nas suas rotinas hábitos mais saudáveis que permitam ter uma melhor qualidade de vida. 

Esta tendência divide-se em três categorias, alimentos biológicos, alimentos com características específicas (como alimentos funcionais que reforçam propriedades benéficas para a saúde);

E, por fim, a crescente necessidade de evitar vários tipos de alimentos que não são benéficos para a saúde e que resultam em diversas dietas com restrições. 

  • Doenças crônicas como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, doenças respiratórias e câncer são as principais causas de incapacidades e de morte no mundo. 

O número de doentes crônicos está a aumentar globalmente. De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, espera-se que em 2020 as doenças crônicas sejam a causa de 73% das mortes, contrastando com os 60% verificados em 2001. 

Os médicos acreditam que estas doenças podem ser prevenidas através da mudança de comportamento e hábitos de consumo.

Tendências do Segmento (2) – Conveniência na Compra e no Consumo  

Os consumidores mostram cada vez menos disposição para investir tempo na cozinha a preparar os alimentos e a confecionar as refeições. 

Nesse sentido, as propostas de conveniência têm cada vez mais procura. Mas a conveniência estende-se além do consumo. 

Os portugueses querem perder o menor tempo possível nas compras, o que vai conduzir ao crescimento das lojas de pequena dimensão e do canal online. 

As lojas tradicionais e de conveniência crescem mais do que as grandes superfícies, de uma forma global em todo o mundo. 

Mesmo em Portugal a estratégia das principais marcas revela uma aposta na expansão de formatos mais pequenos. Cerca de 8% dos portugueses fez pelo menos uma compra num supermercado online em 2017. 

O valor é baixo quando comparado com outros países europeus geograficamente próximos. No entanto, em Portugal não há muitos operadores com supermercados online e esta oferta reduzida não ajuda ao crescimento do setor.

Tendências do Segmento (3) – Clean Label ou Rótulo Limpo

Refere-se a produtos naturais, biológicos e sem aditivos químicos, que apresentam uma lista de ingredientes de fácil compressão. 

Os consumidores consideram-no como um indicador de alimentos saudáveis e seguros, que engloba três áreas: ingredientes, nutrição e sustentabilidade. 

Os consumidores procuram alimentos sem sabores artificiais, cores e alérgenos e com a lista de ingredientes. 

Em relação à nutrição, muitos consumidores rejeitam o açúcar e os adoçantes alternativos como stevia, e incluem ingredientes como proteína. 

Por fim, esperam uma produção ética por parte das empresas, bem como a redução dos resíduos e das embalagens. 

  • Millennials e Boomers, duas gerações com comportamentos distintos. 

Os Boomers procuram a ajuda de médicos, de nutricionistas e do governo, enquanto que os Millennials absorvem a informação das redes sociais, de chefes de cozinha e profissionais fitness. 

Os Millennials têm um estilo de vida diferente e os seus hábitos de compra e de consumo diferem da geração Boomers. 84% dos Millennials estão dispostos a pagar mais por produtos saudáveis (comparativamente a 50% dos Boomers), apesar de 82% dos inquiridos acreditarem que os alimentos biológicos são premium, e são mais propensos a comprarem rótulos limpos.

Tendências do Segmento (4) – Experiência 

O consumidor aprecia experiências de compra e de consumo personalizadas e entusiasmantes e valoriza a criatividade e a inovação nas interações. 

Espera uma comunicação com conteúdos interessantes e relevantes que atraiam a sua atenção. 

Os elementos que mais valoriza são: o layout do ponto de venda, o atendimento, a utilização dos canais de comunicação e novos momentos de interação com as marcas e personalização do contacto ao longo do processo de compra.

Tendências do Segmento (5) – Smart-Shopping

Devido ao rápido acesso a uma enorme quantidade de informação, o consumidor de hoje é mais exigente, informado e mais sensível ao preço e, por conseguinte, faz compras planeadas para reduzir as compras por impulso, pelo que toma decisões mais conscientes, sustentáveis e responsáveis.

Tendências do Segmento (6) – Produtos Naturais 

A tendência de consumo biológico vem de mãos dadas com a preferência do consumidor pela produção nacional. 

Quando se passou a falar do novo paradigma do consumidor, também se começou a pensar mais na preferência pelos produtos de origem portuguesa. 

Em Portugal foram lançadas diversas campanhas de modo a apoiar cada vez mais a produção nacional. “Se é saudável e tão nosso, tão português, tanto melhor”. O El Corte Inglês desenvolveu o conceito Bio & Natural com o objetivo de contribuir e apoiar o desenvolvimento da agricultura biológica em Portugal, pelo que aquando da seleção dos produtos procura incluir o maior número possível de produtos e fornecedores locais que, de momento, representam 90% da oferta total. 

O gestor de operações do El Corte Inglês em Portugal refere que atualmente, “a marca conta com milhares de referências certificadas em diferentes categorias: mercearia, frutaria, lácteos, charcutaria e garrafeira. Tendo em conta a grande aceitação e a procura dos produtos nacionais por parte dos clientes, a primeira escolha para compor a oferta biológica é sempre os produtos nacionais, privilegiando os pequenos produtores”. 

Mais do que uma tendência de mercado, “a alimentação biológica permite regressar às raízes e aos sabores mais genuínos com benefícios para a saúde e benéfica para o meio ambiente, dois fatores com que os consumidores se preocupam cada vez mais”.

Como você pode perceber, o segmento do agronegócio pode ser ampliado para diversas oportunidades. 

Se você quiser conversar e compreender mais sobre Portugal e este segmento, agende um momento para conversarmos e juntos discutiremos seu futuro em Portugal.

Forte abraço!

 

 

Quer levar sua empresa para Portugal?

Sobre o autor,

Benício Filho – Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente também está concluindo o curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco. Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio fundador da Agência Incandescente, sócio fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal), atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros. Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

 

 

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