Vamos falar sobre a produção cultural em Portugal?

Tempo estimado de Leitura: 14min

Postado em 18 de maio de 2022 /
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Tenho a impressão que quando viajo para o país lusitano, em todos os lugares acontecem eventos, shows, peças de teatro ou outras atividades que fortalecem a produção cultural em Portugal.

Há alguns anos Lisboa, por exemplo, tem sido uma das capitais com o maior volume de eventos culturais do mundo.

Talvez por isso, minha suspeita seja confirmada. Em outra ocasião que viajei por Portugal de carro, em três cidades diferentes haviam festivais com o detalhe de que em todos eles a presença de artistas brasileiros era enorme.

Não temos noção como a cultura brasileira é forte em todos os cantos do mundo. Reside neste aspecto outra oportunidade muito interessante para nós. 

Se por um lado o consumo dos serviços de cultura é bastante difundido na Europa, por outro lado, para eles não é novidade dedicar parte do orçamento mensal para este fim.

A arte está no sangue do Europeu e isso não pode ser negado. Todos os países elegem sua identidade como um dos maiores ativos.

O segmento de produção cultural em Portugal sofreu grandes impactos na pandemia

A pandemia causou enormes impactos sobre este segmento. A grande verdade é que em um primeiro momento a impressão é que não seria possível retomar muitas das atividades referentes ao setor.

Mas o que estamos vendo neste momento é que o segmento está sendo reinventado e também está retornando aos poucos. 

O que posso garantir é que quando analisamos as linhas de financiamento para os mais diversos setores, este é um dos que receberam grandes volumes. 

Vale a pena você conhecer este segmento e ler com calma as tendências que vou expor. Mas lembre-se, se quiser empreender em Portugal no segmento de produção artística, vamos estudar o que de fato você quer desenvolver aqui.

Com certeza, saber se estamos diante de algo que tem aderência de mercado,  é fundamental. Para isso, vamos estudar seu projeto.

Analise as tendências e veja se este segmento desperta em você novas oportunidades.

Dimensão do mercado de cultura em Portugal

Portugal é, já há alguns anos, um hub criativo em expansão. Várias sondagens realizadas ao longo das últimas décadas indicam que os portugueses consideram a cultura de extrema importância para uma sociedade mais evoluída e para uma economia mais desenvolvida.

A Qmetrics lançou a iniciativa Barômetro Digital da Cultura, que pretende compreender o interesse dos portugueses nesta área. 

Segundo este estudo, lançado em 2019, a cultura faz parte do conjunto de setores avaliados que contou com uma pontuação de 9 em 10, em termos de importância para a sociedade. 

Salienta-se o fato de o grau de exigência dos portugueses com a cultura ter aumentado nas últimas décadas, refletindo o aumento do nível de escolaridade dos portugueses.

Assim, mais de 80% dos portugueses considerou que o orçamento de estado para a cultura devia aumentar, salientando-se o fato de que os portugueses relacionam mais facilmente a cultura com educação do que com o entretenimento, o que reflete a importância dada pelos portugueses a este setor da sociedade.

São os jovens, entre os 20 e os 24 anos, que sentem que a cultura em Portugal é menos orientada para a sua geração, mostrando assim existirem, ainda, lacunas no setor. 

Este aspeto, que é reforçado por outros estudos realizados, indica que a orientação da oferta cultural para esta faixa-etária poderá ser uma oportunidade de mercado com muito interesse nos próximos anos.

Em Portugal, apenas 5,8% da população trabalha numa área relacionada com a cultura. Ainda assim, e segundo o estudo da Qmetrics, 16,5% dos inquiridos afirma ter uma relação regular com a cultura, como forma de lazer. 

O mesmo estudo indica que mais de 80% dos portugueses viram um filme no cinema nos últimos 65 meses, enquanto que apenas 30% afirmaram ter ido ver uma peça de teatro no mesmo período.

Tendências no segmento de produçao cultural

#1 – EXPANSÃO ONLINE

No ano de 2020, com o surgimento da presente pandemia, o mercado da venda de arte online ascendeu exponencialmente.

No início de Abril, as vendas dedicadas ao mercado online da Sotheby’s ascenderam a cerca de 36 milhões de dólares, mais do dobro do valor obtido no período homólogo.

Segundo Clare McAndrew, economista por detrás do anual Art Basel e UBS Global Art Market Report, o confinamento obrigatório foi o estímulo que o mercado da arte necessitava para crescer no formato online.

Porém esta tendência já tem sido observada ao longo dos últimos anos. 

Os números da casa de leilões Christie’s, do ano 2019, já tinham apresentado um crescimento face ao ano homólogo, sendo que o total de vendas online de arte aumentou 11%, e de todos os clientes, 64% compraram ou licitaram online. 

Dos novos compradores, 60% fizeram o seu negócio em vendas online, setor que continua a reunir o maior número de novos compradores, com cerca de 41%.

#2 – INFLUÊNCIA DAS REDES SOCIAIS

Nos dias que correm, a relevância das redes digitais tem sido transversal a todos os setores do mercado, impactando diretamente, e cada vez mais, na economia global, assim como nos padrões de consumo. 

O mercado da arte não fica de fora. Com um bilhão de usuários ativos por mês, o Instagram tornou-se a plataforma social favorita do mundo da arte, quando o assunto é a pesquisa de referências. 

De acordo com o report “Online Art Trade 2018”, realizado pela seguradora Hiscox, 63% das pessoas entrevistadas utilizam o canal para fins relacionados à arte.

A pesquisa indica também que os consumidores da geração millennial são diretamente influenciados pelas redes sociais. 

Desta forma, 79% usam a plataforma para descobrir novos artistas, 82% usam o Instagram para entrar em contacto e acompanhar os seus artistas favoritos e 32% revelaram que as redes sociais tiveram um impacto crescente na sua decisão de compra (em 2017 o número foi de 29%). 

Essas informações vão ao encontro com o dado de que 91% das galerias utilizam a plataforma como principal veículo de comunicação.

#3 – USO DE CRIPTOMOEDAS 

Em termos digitais, outro assunto importante para o mercado da arte, e que tem crescido consideravelmente, é o uso das criptomoedas. 

São moedas virtuais, utilizadas para a realização de pagamento em transações comerciais, com a vantagem de serem descentralizadas de uma estrutura bancária, o anonimato e os custos nulos de transações.

Embora ainda existam muitas questões que não foram respondidas sobre regulamentação e padronização, o mercado já encontra abertura para este tipo de transações. 

As grandes casas de leilões estão a unir-se às startups de forma a se prepararem para o futuro. 

Em 2018, a Christie’s promoveu o seu primeiro Art + Tech Summit, um fórum dedicado à exploração do blockchain: criado para gravar as transações feitas a partir de moedas criptografadas num banco de dados digital, o blockchain tem chamado atenção do mercado quanto à transparência das transações, aumentando assim a confiança dos compradores pela sua autenticidade, proveniência e detalhes de catalogação da obra. 

O fórum dedicou-se a discutir os impactos positivos e negativos, e se a arte está preparada para lidar com essa tecnologia.

#4 – TRANSPORTE DE ARTE SUSTENTÁVEL

Globalmente, o transporte de arte pode deixar uma profunda pegada de carbono.

Segundo Andrew Stramentov uma “quantidade fantástica de resíduos” é como caracterizou o que viu enquanto trabalhava para empresas como a galeria Gagosian e a Sotheby’s. 

Foi por isso que ele se propôs (com Verity Brown, uma antiga conservadora da Gagosian e Pace Gallery, entre outras) a criar um produto de transporte sustentável que fosse inteligente em termos de clima e resistente no que se refere à proteção.

Lançadas no ano passado, as caixas ROKBOX são construídas com materiais leves reciclados ou recicláveis, e um único contentor pode ser utilizado centenas de vezes. A ROKBOX não é a única solução a ser implementada. 

Recentemente, a Feira de Arte Independente e a empresa de armazenamento e logística Crozier estrearam um acordo de transporte coletivo, agrupando obras de arte para o envio em massa entre Los Angeles e Nova Iorque, em vez de ter galerias a fazê-lo separadamente.

#5 – MATERIAIS SUSTENTÁVEIS 

Para além da utilização de novas formas de transporte, os artistas também estão a ganhar consciencialização face às necessidades de adaptarem as suas obras a um ambiente mais sustentável. 

Segundo alguns especialistas, atualmente é o momento em que o mercado da arte ganhará tração ao usar materiais reciclados. 

Entenda-se então a consideração das ramificações ecológicas, especialmente quando se fala das próprias coisas que os artistas utilizam para fazer as suas criações.

Nos dias que correm, são cada vez mais as criações sustentáveis, como é o exemplo de uma peça construída com cortiça biodegradável, madeira maciça e jesmonite (uma mistura entre acrílico e cimento) que terminou por ser desmontadas e os seus materiais reciclados.

#6 – VENDA REACIONÁRIA

À medida que o estado da economia se agrava, os colecionadores de arte podem sentir que é sensato vender as suas peças. 

Os profissionais financeiros advertem tipicamente contra a venda reacionária durante uma crise financeira.

No entanto, o consenso geral entre comerciantes e consultores, na perspetiva dos expertos em arte, é que ainda não existe um desejo maciço de vender obras de arte. 

A maioria dos colecionadores adota uma abordagem mais conservadora à venda de obras de arte, o que requer tempo e habilidade para otimizar o valor tanto para o comprador como para o vendedor. 

Além disso, o segmento de colecionadores de topo do mercado está um pouco isolado do efeito imediato da recessão econômica. Porém e face às incertezas econômicas que se advém, é necessário ter em conta este fenômeno e as suas possíveis repercussões para o mercado.

Como você pode perceber, as seis tendências expostas externam o que podemos chamar de grandes oportunidades do segmento. 

Com a extensa produção cultural e experiência em eventos, vale a pena sua atenção para este interessante segmento. 

Aproveite uma boa mostra cultural ou um evento musical! Mas se você quiser conversar e compreender mais sobre este segmento em Portugal, agende um momento para conversarmos e juntos discutiremos seu futuro em Portugal.

Forte abraço!

 

Sobre o autor,

Benício Filho – Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente também está concluindo o curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco. Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio fundador da Agência Incandescente, sócio fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal), atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros. Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

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