Escassez de mão de obra em Portugal

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Postado em 15 de setembro de 2022 / , ,
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Com o reaquecimento da economia, o número de empregos voltou a crescer em muitos países da Europa, entre eles o preferido pelos brasileiros para moradia: Portugal. Hoje, o que vemos é uma escassez de mão de obra em Portugal, nos diversos setores. Entre eles, estão a hotelaria e a construção civil.

A estimativa é de que faltem 15 mil trabalhadores nos hotéis, segundo a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). O levantamento da entidade, apresentado no início de novembro, indica que a maior demanda é por funcionários para recepção, copa e cozinha. 

Uma pesquisa da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas do país aponta que 63% de suas empresas associadas sofrem com falta de pessoal.

Como a pandemia afetou o mercado de trabalho português? E como aproveitar as novas oportunidades criadas pela  escassez de mão de obra em Portugal? Neste artigo, esclarecemos algumas dúvidas a respeito do tema. Confira!

 

CENÁRIO PÓS PANDEMIA

 

Os setores mais afetados pela falta de mão de obra em Portugal são hotelaria, turismo, mobiliário, construção, agricultura, restaurantes, bares e cafés. Os proprietários das várias empresas nesses setores acreditam que um dos motivos para a escassez de profissionais tenha sido a insegurança e instabilidade que surgiram no início da pandemia. 

As pessoas que trabalhavam nesses setores no começo da pandemia, logo viram que seriam muito afetadas e começaram a buscar emprego em setores mais estáveis. O salário mínimo baixo em comparação a outros países europeus, a queda demográfica dos últimos 10 anos e a falta de mão de obra com qualificação elevada ou experiência na área, também são razões que explicam o cenário atual.

Houve uma queda da mão de obra imigrante, pois a pandemia diminuiu os fluxos internacionais de trabalhadores vindos de outros países, que habitualmente tinham ocupações com salários mais baixos e menos procuradas pelos trabalhadores portugueses.

Além disso, aumentou também a procura por profissionais da área de TI. Portugal tem a intenção de se tornar “mais digital” nos próximos anos, e sentiu uma pressão nesse sentido quando a pandemia obrigou muita gente a trabalhar e realizar burocracias a partir de casa, usando a internet

Então, há vagas para cerca de 15 mil profissionais de TI no país, além de outras vagas relacionadas ao mercado digital.

Os brasileiros interessados em se mudar para Portugal, podem começar a trabalhar remotamente, ainda no Brasil (quando o cargo permite), até conseguirem o visto de trabalho para se mudarem para o país. As empresas estão cientes de que essa é uma das melhores formas de preencher suas vagas com os bons profissionais brasileiros, e todos saem ganhando.

 

 

EMPREGO E RESIDÊNCIA

 

Após chegar a Portugal com o visto de turista, brasileiros podem ficar no país por até três meses. Após estar empregado, o indivíduo pode dar entrada no pedido de residência temporária, que é válido por dois anos e pode se tornar permanente (com um tempo médio de espera de dois anos para aprovação). 

Essa forma de entrada no país é muito comum, mas o caminho ideal é buscar um visto de residência para fins de trabalho já em um consulado português no Brasil. Isso evita que empregadores possam agir de má-fé com imigrantes, prometendo contrato e não cumprindo. 

Além disso, algumas pessoas vão para Portugal e, no desembarque, não conseguem comprovar que são turistas e nem que têm algum vínculo, podendo ter problemas com deportação. Por isso, buscar assessoria é sempre importante.

 

BUSCANDO NOVAS OPORTUNIDADES

 

Para encontrar um emprego, o estrangeiro pode acessar sites com ofertas. O governo português divulga vagas por meio do site do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). No portal, é possível se inscrever e entrar em contato com os empregadores. Há, também, divulgações de ofertas no LinkedIn e em sites como o Sapo Emprego e o Jooble.

A pessoa deve entrar em contato com a empresa portuguesa pretendida e pedir que o empregador forneça a esse pretendente uma espécie de certidão, declarando a intenção de contratá-lo. É esse o documento que será apresentado na hora da entrada no país e também no momento de solicitação de residência.

Estando regularizado, o brasileiro recebe uma autorização de residência com prazo de validade, normalmente, de um ano, que foi ampliada para dois durante a pandemia.

Quando chegar o momento de renovar sua autorização, o estrangeiro precisará apresentar um novo comprovante de que está empregado ou de que possui meios suficientes para se manter no país. Depois da primeira renovação, a reapresentação dos papéis ocorre de dois em dois anos (ou de três em três, durante a pandemia).

Com cinco anos de residência, é possível alçar ao status de residente permanente, quando a renovação passa a ocorrer de cinco em cinco anos e há uma flexibilização nas exigências – não é necessário, por exemplo, comprovar vínculo empregatício com uma empresa ou meios de subsistência. 

Possuindo a autorização para residência permanente, pode ser feito o pedido de cidadania portuguesa, quando já não há mais nenhuma demanda de renovação de visto.

 

 

Sobre o autor,

Benício Filho – Formado em eletrônica, graduado em Teologia pela PUC SP, com MBA pela FGV em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios, pós-graduado em Vendas pelo Instituto Venda Mais, Mestrando pela Universidade Metodista de São Paulo na área de Educação e pós-graduado em Psicanálise pelo Instituto Kadmon de Psicanálise. Atualmente também está concluindo o curso de bacharelado em Filosofia pela universidade Salesiana Dom Bosco. Atua no mercado de tecnologia desde 1998. Fundador do Grupo Ravel de Tecnologia, Cofundador dá Palestras & Conteúdo, Sócio da Core Angels (Fundo de Investimento Internacional para Startups), sócio fundador da Agência Incandescente, sócio fundador do Conexão Europa e da Atlantic Hub (Empresa de Internacionalização de Negócios em Portugal), atua também como Mentor e Investidor Anjo de inúmeras Startups (onde possui cerca de 30 Startups em seu Portfólio), além de participar de programas de aceleração como SEBRAE Capital Empreendedor, SEBRAE Like a Boss, Inovativa (Governo Federal) entre outros. Palestrando desde 2016 sobre temas como Cultura de Inovação, Cultura de Startups, Liderança, Empreendedorismo, Vendas, Espiritualidade e Essência, já esteve presente em mais de 230 eventos (número atualizado em dezembro de 2020). É conselheiro do ITESCS (Instituto de Tecnologia de São Caetano do Sul), bem como em outras empresas e associações. Lançou em dezembro de 2019 o seu primeiro livro “Vidas Ressignificadas” e em dezembro de 2020 “Do Caos ao Recomeço”.

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